Hoje, Dia 17 de julho de 2024. Há poucas horas olhei a chuva
caindo copiosamente, forte e insistentemente no capô do meu carro. Parecia
tanto com minha alma a chorar...
Lembrei de você! O
primeiro amor humano genuíno que senti. Sabe mano, nunca haverá palavras
suficientes que possam externar a saudade que sinto de você... essa saudade ficou no meu peito infantil desde
o dia em que você foi atrás dos seus sonhos em São Paulo.
Sabe... Ainda sinto
minhas mãos vazias, depois de segurar tão forte a sua naquele ônibus na
tentativa de impedir de alguma forma que você partisse. Eu sabia, eu sempre soube que começava ali as
perdas de minha vida. Eu chorei tantos dias e noites... nem imagina as
noites... o meu conforto fora o seu travesseiro, que para a minha sorte, você
deixou para trás.
Eu o molhei tantas e
tantas vezes com minhas lágrimas... Era só o que ficou de você e eu me apeguei
a ele e o usei enquanto pude. Com o passar dos anos, ele foi se rasgando e eu
pedia a mainha para costurar os buracos. Foram muitos remendos... até que um
dia, perdi também seu travesseiro.
É. Você se foi e já faz
algum tempo e a saudade só corrói dia após dia, ano após ano meu coração.
Pedaços importantes foram arrancados dele e eu me pergunto: como é possível
ainda respirar? São os mistérios de Deus! Eu acredito que você está bem, ao
lado de painho, tia Isabel, Rita e tantos outros. Mas a verdade é que isso não diminui meu peito
de doer e de achar que a vida aqui embaixo anda bem sem graça.
Meu irmão e pai. Nunca
esquecerei do seu amor sincero, sem esperar nada em troca, de sua paciência com
a gente, crianças pequenas, traquinas e porque não dizer... chatinhas ás vezes né? Dos doces que você trazia pra gente e dos
abraços e das vezes em que experimentei
uma felicidade tão pura e limpa em meu coração infantil quando me levava para
passear ou quando me jogava no ar. Seus gestos tão simples foram todo o meu
mundo. Você sempre será o meu paizinho e China o meu painho.
Enquanto eu respirar,
você nunca será esquecido, porque foi com você que aprendi primeiro a
importância que tem um coração bondoso.
Nem preciso dizer o
quanto estou chorando não é?
Sinceramente, queria
muito que lesse isso. Quem sabe não é mesmo? Não há impossíveis para Deus.
Te amo para sempre,
eternamente, meu irmão, pai e grande amigo.
Alexandre Alves de
Miranda