Em meio às massas desfavorecidas de educação parental e social, conversar é algo praticamente impossível. Especificamente entre as mulheres, o “papo”, se fundamenta na curiosidade, ou seja, se aquela cidadã curiosa necessita saber de informações sobre o objeto observado, bastará um bom dia desta pessoa para que ela analise-a da ponta do dedo ao fio de cabelo e então inicia-se os disparos de perguntas feitas sem qualquer pudor, todas, sem exceção, constrangedoras, impertinentes, abusivas e bem absurdas.
_ Teu marido trabalha aonde?
_Não tem filhos não é? Por quê?
_ E você trabalha?
_ Ele não tem filhos fora? E você? Não tem filhos de outro?
Fica transparente ao citar algumas das perguntas que ouvi o nível de interlocução dessas pessoas. Gostaria muito de ser neste momento inoportuna e deselegante e mandá-las às fezes, ou, que um mangalho a invadisse no reto, porém, respirei fundo e tentei, a duras penas, a difícil missão de responder o mais simplista que pude.
Miseráveis almas desprovidas de cultura, rudimentar ao extremo. Vazias como os baldes de seus lixos. Sua insignificância me dá uma piedade profunda. Incapazes de enxergar o básico do ser social permanecem em suas celas escuras, na ignorância. Nome mais apropriado não há para estes do que o batizado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, massa de manobra.

Nenhum comentário:
Postar um comentário